Quinta-Feira, 21 de Setembro de 2017

Cultura


18/08/2017 - 00:00 - Atualizado em 18/08/2017 - 00:00

"Sou exemplo de teimosia", diz maestro João Carlos Martins

Em entrevista exclusiva ao Diário da Região, ele fala sobre sua cinebiografia, que acaba de chegar aos cinemas, e relembra com carinho suas apresentações em Osasco. "Ela me emociona. Os concertos que dei aí foram emocionantes"
Por Graciela Zabotto
Osasco

(gracielazabotto@webdiario.com.br)
 
Mais do que um longa-metragem, uma verdadeira história de vida. “João, o Maestro” chegou às telonas na última quinta-feira, 17, e conta a história de superação de João Carlos Martins e sua paixão pela música. Considerado um dos grandes nomes da música na atualidade, João Carlos Martins foi considerado um dos maiores intérpretes de Johann Sebastian Bach. Mas uma doença acabou afastando-o do piano. Até que se reinventou e iniciou nova carreira, como maestro, conquistando reconhecimento nacional e internacional.
 
Com produção da L.C. Barreto e direção de Mauro Lima, o filme tem elenco digno de representar a história do maestro. Davi Campolongo, Rodrigo Pandolfo e Alexandre Nero se revezam no papel do músico, representando João na infância, juventude e vida adulta, respectivamente. Foram sete semanas de filmagem para chegar ao resultado final.
 
Em entrevista exclusiva ao Diário da Região, João Carlos Martins falou sobre as cenas que mais o emocionaram; sobre ser exemplo de superação – ou de teimosia, como ele mesmo afirma; e sobre o carinho que tem pela cidade de Osasco. Confira abaixo o bate-papo com o maestro.
 
Qual cena do filme foi a mais difícil para o senhor assistir?
Foram quatro cenas. A cena que eu cai e uma pedra e entrou no meu braço. A cena em que estou fazendo um concerto, em Berlim, e começo a perceber que o piano está ficando ensangüentado e eu levo até o fim. Foi um dos melhores concertos da minha vida. E finalmente a cena do meu último concerto, em Londres, quando eu beijo o piano e me despeço dele profissionalmente porque eu sabia que dois dias depois eu iria ter uma cirurgia para cortar o meu nervo e ia perder o movimento da mão direita. E também a última [cena], mas não vou falar qual, porque contaria o final do filme (risos).
 
O senhor é um exemplo de superação...
Eu digo o seguinte: uma pessoa que ficou tetraplégica ou perdeu a visão tem um problema muito maior do que um pianista que perdeu as mãos para o piano. Mas, pela exposição na mídia, acabei ficando como uma espécie de referência, mas nem digo referência pela superação, digo mais pela teimosia mesmo. Às vezes estou em aeroportos e alguém chega e fala que depois que assistiu uma entrevista comigo, começou a dar valor à vida. Então isso te dá uma responsabilidade muito grande. Devemos fazer de cada adversidade uma plataforma para dar um salto mais alto e não uma plataforma para se jogar no abismo.
 
O que o senhor teria para falar aos jovens músicos que têm o João Carlos Martins com referência de pessoa e profissional?
Eu diria que a pessoa tem que correr atrás dos seus sonhos. Parece que esses sonhos nunca vão chegar. Mas ela não pode desistir. Ela precisa continuar a correr, correr e correr. Quando ela menos espera, o sonho começa a correr atrás dela. Foi isso o que aconteceu comigo. Por isso que eu digo que a pior coisa que aconteceu na minha vida foi perder as mãos para o piano, e a melhor coisa que aconteceu na minha vida foi perder as mãos para o piano. Foi na música que eu encontrei a minha redenção.
 
O senhor faria tudo de novo se fosse preciso?
A mesma coisa inteirinha. Eu sou católico, mas acredito em reencarnação. O que eu tinha que passar, eu passei nessa existência. A próxima será mais tranqüila.
 
O senhor acompanhou as gravações do filme?
Com um diretor e atores fantásticos, eu gostaria de falar que o filme foi feito com uma sincronização maravilhosa. Quem assistir vai jurar que é o ator quem está tocando, porque os atores são sensacionais. Tudo que está tocando no filme são gravações minhas, mas tem uma sincronização perfeita. A única coisa que eu acompanhei foi a sincronização, porque tudo o que é tocando no filme são gravações minhas e acompanhei para que, quem assistir, possa jurar  que é o ator quem está tocando.
 
O senhor já se apresentou em Osasco?
Sim. Já fiz vários concertos, inclusive no Teatro Municipal de Osasco, um lugar que eu acho maravilhoso. Osasco é uma cidade a que sou agradecido porque foi uma das primeiras que me convidou para reger no Teatro depois que comecei a minha nova carreira como maestro. [O teatro] é uma parte da cidade de Osasco que me emociona, porque os concertos que dei aí foram emocionantes. Acho que é uma cidade que tem uma compreensão enorme da palavra cultura e talvez isso não seja divulgado pelo Estado e País. Como Osasco foi uma das primeiras cidades que me aceitou, pedi que ela estivesse relacionada na história na primeira leva de apresentações, pois no making of tem partes do início da minha carreira como maestro.


SERVIÇO
Veja onde assistir o filme "João, o Maestro" na região

OSASCO
SuperShopping Osasco
Shopping União de Osasco
 
BARUERI
Shopping Iguatemi Alphaville

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