Quinta-Feira, 19 de Abril de 2018

Animais


01/11/2017 - 00:00

Justiça ainda não autorizou Luisa Mell a doar cães resgatados

"Estou desesperada, com o abrigo lotado e preciso continuar resgatando", desabafou a ativista, sobre animais de Osasco
Por Graciela Zabotto
Osasco

Cães sofriam maus tratos em canil clandestino em Osasco

Cães sofriam maus tratos em canil clandestino em Osasco (Foto: Maranhão)
No dia 29 de setembro, a vida mudou para 135 cães resgatados pelo Instituto Luisa Mell, ONG que atua em defesa dos animais, de uma casa de alto padrão, no Jardim Adalgisa, em Osasco. Cerca de um mês após o resgate, é possível atualizar os números: 32 animais não resistiram à vida de maus tratos e morreram. Por outro lado, 10 nasceram, já em uma realidade bem diferente da vivida por suas mães.
 
Segundo a ativista Luisa Mell, a Justiça ainda não emitiu a liminar que permite que a Instituição castre e doe os animais. “Espero que saia essa semana. Estou desesperada. Estou com o abrigo lotado e preciso continuar resgatando. Esses animais são as vítimas, não tem sentido eles ficarem presos”, afirmou.
 
O caso está no Juizado Especial Criminal (Jecrim). “É importante informar que um Termo Circunstanciado foi registrado pela Delegacia do Meio Ambiente e Produtos Controlados da Seccional do município e encaminhado ao Jecrim. Na ocasião, os animais foram apreendidos e entregues para a citada ONG, que ficou responsável pelos cuidados dos animais. Sobre a guarda definitiva, a mesma só poderá acontecer após decisão judicial”, explicou a Secretaria de Segurança Pública.
 
No dia da operação, uma idosa de 70 anos foi detida acusada de maus tratos. Na casa onde estavam os cães funcionava o canil “Mansão Sebastian”, certificado pela Sobraci (Sociedade Brasileira de Cinofilia Independente), instituição que faz registros de pedigree e fomenta o mercado de canis para venda de filhotes. Com o número de Registro 5858, o canil tem data de abertura em 11 de novembro de 2013 e tinha autorização para funcionar até 11 de novembro de 2015.
 
Os cães de diversas raças, dentre elas yorkshire, shitzu, labrador, pug e lhasa apso, eram mantidos em péssimo estado dentro da residência. Muitos apresentavam ferimentos e fraturas nas patas e até maxilares quebrados. Eles ficavam amontoados em cômodos cheios de fezes e urina e eram explorados para reprodução nessas condições. Também há suspeitas de que eles eram espancados, já que parte dos cães apresentava ferimentos. Nove cães foram encontrados mortos em sacos de lixo deixados na lixeira do lado de fora da residência, no dia do resgate.
 
Batizada de “Operação Canina”, a ação especial aconteceu em parceria com a Delegacia do Meio Ambiente de Osasco e partiu de uma denúncia recebida, sobre os maus tratos, pelo Instituto Luisa Mell. A ONG recebeu um vídeo de uma mulher espancando animais, inclusive filhotes, e encaminhou o material à delegacia.

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