Sábado, 21 de Julho de 2018

Política


03/07/2018 - 00:00 - Atualizado em 03/07/2018 - 00:00

Márcio França garante novo acesso da Castello Branco a Osasco

"Vou tocar isso para frente", afirmou o governador, durante vinda à cidade, onde concedeu entrevista coletiva na sede do Diário da Região. Ele também falou sobre projetos de Segurança, Saúde e Educação
Por Júlio Rezende
Osasco

O Ciclo de Entrevistas 2018 promovido pelo jornal Diário da Região e a ConecTV, com co-realização da AMECOM (Associação Metropolitana de Comunicação), da ADJORI-SP (Associação dos Jornais do Interior, e da APJ (Associação Paulista de Jornais), recebeu na última sexta-feira, 29, o governador e pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo Márcio França (PSB). Durante duas horas França respondeu aos questionamentos dos jornalistas sobre as áreas de Segurança, Saúde, Educação, política e também infraestrutura, inclusive sobre os projetos que ainda pretende executar no curto período que resta de sua gestão, até dezembro deste ano. Também marcaram presença no evento: Ana Maria Rossi, vice-prefeita de Osasco; Mauricio Freire, ex-Delegado Geral de Polícia de São Paulo; Camila Godoi Rodrigues, vereadora de Itapevi, Antonio Aparecido Toniolo e Mario Luis Guide, vereadores de Osasco; Profª Tereza dos Santos, presidente do PSB de Osasco; Gilmara Gonçalves; vice-prefeita de Carapicuíba; Clóvis Vasconcelos, sub-secretário de Comunicação do Estado; Rodrigo Veterinário da Hemodiálise, pré-candidato a deputado estadual. O Ciclo já recebeu neste ano os pré-candidatos Rogério Chequer (Novo) e Paulo Skaf (MDB). Aguardamos a confirmação das presenças do ex-prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB) e do ex-prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT).

(politica@webdiario.com.br)
 
O chefe do executivo paulista argumentou que governar São Paulo é um grande desafio porque o Estado possui uma máquina administrativa muito grande, com 800 mil servidores, setenta empresas estatais, que representa ser um dos maiores governos do planeta, superando em tamanho e em riqueza vários países do mundo. “Tenho procurado nesses noventa dias em que me tornei governador dar conta do recado, porque as dificuldades acontecem todos os dias, sem que você possa se prevenir de todas elas. No entanto, estou muito animado”, declarou França.

Para ele, o estado de espírito do líder vai definir suas ações. “Para governar é preciso ter positividade para resolver os problemas e melhorar a vida das pessoas. A boa política necessita de líderes que tomem decisões por mais difíceis que elas sejam. Só assim as pessoas vão voltar a acreditar na classe política”, afirmou. Na área da política França avalia que há certa sensação de falta de autoridade genérica e nem quem está exercendo o poder parece ter forças para exercê-lo, tamanho o descrédito da população a tudo.

“O estado de espírito para ficar positivo depende da boa política. Se não tivermos otimismo, quem é que vai ter? Acontece que com a ausência da boa política, o espaço é ocupado por um monte de gente famosa, inteligente, com mil qualidades, mas sem a experiência de ter convivido com a política. E aí, via de regra, é uma grande frustração, porque a experiência do poder público é muito diferente da experiência privada. Por mais que você seja um grande empresário, uma pessoa preparada, no poder público as amarras são outras”, argumenta.

Como a situação econômica do País não vai bem, todos esperam mais de São Paulo, porque é o Estado melhor preparado para enfrentar os problemas. “A situação econômica do país é diferente do Estado de São Paulo. Nosso Estado é cristalizado. Difícil prever o que vai acontecer do ponto de vista da economia. É um ano de eleição, que costuma devolver um pouco de esperança. Sinto que algumas áreas o crescimento não arrefeceram, mas o agronegócio e os investimentos em carne sofreram muito nos últimos tempos. A safra de grãos e a cana de açúcar vão muito bem. Acho que teremos um ano não tão bom quanto esperávamos, mas muito melhor do que o ano passado”, ressalta o governador.

Quando o assunto é Segurança Pública, Márcio França pondera que é preciso parar de produzir o gelo, ou seja, prevenir a violência. “Nessa área tenho feito uma cruzada no Estado e falado pras pessoas a minha visão sobre a violência. Fui prefeito em São Vicente, uma cidade muito pobre, com um orçamento muito baixo e muito violenta. Lá, 56% das pessoas que estavam presas tinham 18 anos de idade.  Então lancei um programa chamado alistamento civil, que inverte a lógica. Ao invés de colocar mais policiais nas ruas, nós evitamos que os jovens enveredem para a marginalidade. Pegamos os meninos em idade de servir o exército e os alistamos em alistamento civil. Eles terão função de orientação municipal. Não dá certo nós ficarmos colocando mais polícia. Nós tínhamos há cinco anos atrás  70 mil, hoje estamos com 130 mil policiais. O que aconteceu é que estamos com mais presídios. Temos 230 mil presos em São Paulo”, lembrou o governador.

Questionado sobre as concessões de rodovias e o preço dos pedágios, França revelou que o regime de concessão em São Paulo foi o único do Brasil que conseguiu ficar de pé. Ele usou como referência que a empresa faz o investimento e cobra do usuário o retorno do investimento. “Os contratos vigentes foram todos renovados pelo então governador Claudio Lembo. Quando Alckmin voltou, questionou os convênios. Se as concessões encerrarem nesses próximos anos eles terão que abrir concorrência de novo. Agora existe uma alternativa: as concessionárias têm direito de fazer obras complementares em troca de prorrogação de contrato. É uma decisão que o Tribunal de Contas do Estado havia proibido durante dois anos. Vou tomar as rédeas desse assunto e liberar para que a concessionária possa fazer obras na região, como a alça de acesso a Osasco e o prolongamento das marginais da Castello Branco”, afirmou.

Sobre Saúde o governador disse que não é preciso inaugurar mais equipamentos, só fazer funcionar o que já existe. “Na Saúde pública temos um desafio muito grande. Estamos inaugurando neste mês o centésimo hospital estadual de São Paulo. O nosso Estado tem mais hospitais públicos do que o Brasil inteiro. Eu quero inverter essa lógica. Precisamos ajudar mais as Santas Casas e as prefeituras do que construir novos hospitais. Além disso, precisamos brigar mais para descongelar a tabela do SUS que está assim há 13 anos. Isso é uma crueldade com o ser humano. Depois que a pessoa entra no sistema, o atendimento não é ruim. O problema é que o sistema é apertado na entrada”, disse.

Na área dos Transportes, França concordou que o Estado tem sido muito criticado por fazer poucos quilômetros de Metrô. “São Paulo responde por 85% de todo o transporte ferroviário do Brasil. Temos 89 quilômetros de Metrô. Estamos construindo mais 40 quilômetros. Mas as construções começaram há cinco anos, quando o Brasil estava numa subida. Aí veio a queda. Neste período, o dinheiro do Estado foi cumprido, o da iniciativa privada foi cumprido e o do governo Federal não veio. No meio disso tudo, muitas empresas grandes que haviam ganhado as concorrências quebraram. E muitas delas estão envolvidas nos escândalos nacionais. Em função disso, as obras atrasaram”, respondeu.
 
Dentre as centenas de personalidades e autoridades que compareceram ao evento, destacamos: Delegado Seccional de Osasco, Mauro Guimarães Soares; Dejar Gomes Neto, Delegado Seccional de Carapicuíba; Coronel Ricardo Tahara, novo Comandante do CPA-M8 da Polícia Militar; IrenePantelidakis, Dirigente Regional de Ensino de Osasco; Pedro Sotero, Secretário Municipal de Finanças de Osasco, dentre outros.
 

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