Sábado, 21 de Setembro de 2019

Animais


23/08/2019 - 00:00 - Atualizado em 23/08/2019 - 00:00

Do ritual religioso para uma vida de amor e mimo

Por Graciela Zabotto / gracielazabotto@webdiario.com.br
Barueri

Usando roupinha e até crachá, quem vê o Snow não consegue imaginar tudo o que aquele corpinho indefeso já passou. Snow, que também é surdo, chegou até o Fundo Social após uma denúncia anônima. Ele era filhote, estava preso em uma gaiola, exposto ao sol, e seria usado para um ritual religioso. Hoje ele tem um lar e é o mascote da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social

Usando roupinha e até crachá, quem vê o Snow não consegue imaginar tudo o que aquele corpinho indefeso já passou. Snow, que também é surdo, chegou até o Fundo Social após uma denúncia anônima. Ele era filhote, estava preso em uma gaiola, exposto ao sol, e seria usado para um ritual religioso. Hoje ele tem um lar e é o mascote da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Foto: Caio Henrique)
Quando traduzida para o português, a palavra Snow significa neve, mas no Fundo Social de Barueri ela tem outro sentido e se resume a um gatinho lindo, branquinho, fofo, e que se parece, de fato, um floco de neve.
 
Usando roupinha e até crachá, quem vê o Snow não consegue imaginar tudo o que aquele corpinho indefeso já passou. Snow, que também é deficiente auditivo, chegou até o Fundo Social após uma denúncia anônima feita para o Centro de Zoonose da cidade. Ele era filhote, estava preso em uma gaiola, exposto ao sol, e seria usado para um ritual religioso. “Ele foi resgatado e recebeu os primeiros cuidados. Um dia a veterinária o trouxe aqui no Fundo Social. Ele estava com o corpo todo marcado com umas manchas vermelhas e alguns símbolos que a gente não entendia o que era. Isso na barriga e cabeça”, lembrou Ana Paschoalin, ‘mãe’ do Snow. Mas como o gatinho chegou até o prédio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social? Isso quem responde é Bruna Furlan, filha de Sônia Furlan, presidente do Fundo Social.
 
“As pessoas que não gostam de animal, mas também não querem maltratar ou quem não tem condição de tratar pensa: ‘ah vou deixar lá na Sads que a Sônia gosta. Ela vai arrumar alguém para adotar’, então a pessoa traz o gato. Tô até desconfiada que ela tem participação nisso”, disse, brincando com a mãe. Sônia não negou. “Eu amo gato. Por mim, aqui na secretaria, eu não teria só um gato. Gato é muito tranquilo. Então se eu tiver 10 gatos ou 20 vai ser a mesma coisa”.
 
Snow dormia na sala da presidente do Fundo Social. Um verdadeiro reizinho. E precisou fazer uma força tarefa para dar toda atenção e cuidado que aquela bolinha de pelo branco precisava. “O Snow chegou na secretaria em outubro do ano passado. Lembro bem porque era época de férias e também Natal, então tivemos que montar um esquema para cuidarmos dele”, disse Sônia. “Para o final de semana nós montamos uma escala para brincar com ele, dar comida, limpar a caixa de areia e teve um feriado que todo mundo foi viajar, então resolvi levá-lo para casa e até fazer uma experiência”, completou Ana, que é funcionária da secretaria. Naquele dia Snow ganhava uma família, incluindo uma irmã canina. “A minha preocupação era que ele e a minha cadela não se adaptassem bem. Mas se adoraram. E ele ia para todo lugar comigo. Fiquei tão apegada que resolvi adotá-lo”.
 
Acontece que o Snow já tinha conquistado o coração dos funcionários do Fundo Social. E então? Como dividir essa guarda felina? O gatinho foi 'promovido' a pet do Fundo Social. “Eu venho trabalhar com ele e depois voltamos para a casa. Quando eu vou para academia ele vai comigo e fica com as recepcionistas”, contou Ana. Ele é tão dedicado que até aos domingos quer ir trabalhar. “Ele já está tão acostumado que ele me acorda, já no horário certinho, e entra na caixa dele para vir pra cá. Quando é domingo ele acorda e fica miando como se falasse: ‘não vamos trabalhar hoje?’”, completou.

O gatinho é tão querido na secretaria que quem chega já pergunta: “Cadê o Snow?”. E muitos dão uma passadinha por lá só para vê-lo. Exemplo disso é uma fã completamente apaixonada por esse bichano. “Eu mesmo quase não vinha aqui. Agora, toda semana passo para ver o Snow”, contou Bruna enquanto tentava vestir o gatinho com uma roupinha nova.
 
Para Sônia Furlan, ter o pet na secretaria transforma o ambiente e pode incentivar adoção de animais abandonados. “Acho que isso dá bom exemplo, para adultos e crianças. Muitas mães com crianças chegam aqui para buscar alimento e como o Snow circula pelo prédio todo mundo acaba se apaixonando por ele. Isso humaniza. Além disso, se queremos incentivar as pessoas nós temos que acreditar e fazer. Senão você não vai conseguir passar a verdade para as pessoas”.
 
Em um país onde 3,9 milhões de animais vivem em condições de vulnerabilidade, o Snow tirou a sorte grande ao ser adotado e abraçado, não apenas por Ana, Sônia e Bruna, mas por todos da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social de Barueri. Se Snow pudesse falar, além de agradecer a todos pela nova vida que ganhou, certamente teria um pedido para fazer: “Não compre, adote”.

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