Terça-Feira, 19 de Novembro de 2019

ARTIGO


30/09/2019 - 00:00 - Atualizado em 30/09/2019 - 00:00

Setembro amarelo está vermelho

Por Graciela Zabotto
Osasco

Finalmente 1º de outubro. Finalmente acabou setembro. Não que eu não goste dele, ao contrário, é um dos meus meses favorito, mas foi embora e levou contigo a campanha Setembro Amarelo, onde acontecem ações de prevenção ao suicídio. Alguns grupos de psicanalistas, por exemplo, defendem que os casos de suicídio aumentam durante esse mês de campanha, outros acreditam que é um período onde as pessoas divulgam mais os casos de seres humanos que, em desespero extremo, acreditam que a solução é tirar a própria vida.

Na semana passada, o Diário da Região publicou a matéria "Três adolescentes se suicidam na região em 10 dias". Nela, o caso mais recente era de uma jovem de apenas 12 anos. O número já é assustador. Mais assustador ainda são os comentários feitos na matéria postada na página do Diário no Facebook. "Três divulgados porque sei de mais uns 5 na lista, com idade de até 19 anos", escreveu uma leitora. "E um rapaz também se enforcou no Jardim Cirino", publicou outra internauta. Não sou profissional da saúde - nem física, nem mental - sou uma mera repórter que observa. E por observar posso dizer - numa opinião estritamente pessoal - que essa campanha está do avesso.

Será que, ao falar de suicídio, não acende na cabeça daquela alma desesperada que essa seria a luz no fim do túnel? Uma frase típica nesse período é de que "o suicida não quer acabar com a vida. Ele quer acabar com a dor". E será que devemos tentar amenizar a dor falando de uma possível solução? Será que deveríamos falar sobre morte? Além disso, setembro é o mês perfeito para se falar de vida. É o mês da primavera onde flores nascem de árvores que, até então, eram aparentemente galhos secos e sem vida. Vide o Ypê. Mas existia uma vida lá. No caso das pessoas que sofrem de depressão ou qualquer outra patologia da mente, existe vida ali dentro. Ela só precisa querer viver. E não acredito que falar sobre suicídio possa incentivar alguém a querer viver.

Será que, ao invés de uma campanha de prevenção ao suicídio não poderia haver uma campanha sobre a importância de reconhecer e aceitar que depressão, síndrome do pânico, síndrome de burnout e ansiedade “não é frescura”. Sei que já existe o Janeiro Branco, mês de conscientização da saúde mental mas, ainda sim, em setembro o suicídio deveria ser abordado da maneira inversa. Até porque, cá entre nós, quem liga para janeiro? É o mês do ano novo, de férias, e que antecede o carnaval. Não sei se campanha sobre saúde mental é bem recebida nessa época do ano. Que no próximo ano, quem sabe, Setembro Amarelo possa ser lembrado pela vida. Que o amarelo não seja usado como cor do desespero, mas como referência ao sol que toda manhã nasce cheio de esperança de um dia melhor.

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