Terça-Feira, 19 de Novembro de 2019

Política


06/11/2019 - 00:00 - Atualizado em 06/11/2019 - 00:00

Alexandre Frota pede cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro por fala sobre novo AI-5

Para o parlamentar de Cotia, filho do presidente faltou com o decoro que o cargo exige ao declarar que, em caso de radicalização da esquerda, poderia ser editado um novo AI-5. Segundo Frota, isso justificaria a perda do mandato do deputado Carlos Bolsonaro
Por Da redação / politica@webdiario.com.br
Cotia

Frota critica Eduardo por fala sobre AI-5

Frota critica Eduardo por fala sobre AI-5 (Foto: divulgação)
Deputado federal e morador de Cotia, Alexandre Frota (PSDB) entrou com pedido de cassação de Eduardo Bolsonaro (PSL) por quebra de decoro parlamentar. O anúncio foi feito em suas redes sociais. “Acabei de protocolar na Secretaria Geral da Mesa o pedido de cassação de Eduardo Bolsonaro. O pedido será levado para corregedoria”. Para Frota, ao declarar que, em caso de radicalização da esquerda, poderia ser editado um novo AI-5, o deputado Eduardo faltou com o decoro que o cargo exige, o que justificaria a perda do mandato.
 
A oposição também entrou com requerimento no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, pelo mesmo motivo, quebra de decoro parlamentar. Em entrevista na última quinta, 31, concedida a jornalista Leda Nagle, Eduardo defendeu que em caso de radicalização da esquerda, o retorno de um AI-5 seria justificável.
 
"Vai chegar um momento em que a situação vai ser igual a do final dos anos 60 no Brasil, quando sequestravam aeronaves, quando executavam-se e sequestravam-se grandes autoridades, cônsules, embaixadores, execução de policiais, de militares. Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente via precisar ter uma resposta. E a resposta, ela pode ser via um novo AI-5, via uma legislação aprovada através de um plebiscito, como aconteceu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada", defendeu Eduardo.
 
O Ato Institucional número 5 foi o quinto decreto adotado pela ditadura militar, em 1968. É considerado mais duro de todo o período de rompimento democrático que só se encerrou em 1985. O Ai-5, dentre outros instrumentos, legalizou a cassação imediata dos mandatos de parlamentares que eram contrários aos militares. Institucionalizou a tortura ao suspender quaisquer garantias constitucionais. Aplicou a censura prévia de tudo que saía na imprensa, música, filmes ou qualquer outro tipo de entretenimento ou manifestação cultural. Prisão de jornalistas e artistas, além da morte e desaparecimento de presos políticos, também foi resultado desse período.
 
Criticado por todos os setores da sociedade civil, o deputado federal foi à televisão aberta explicar a sua declaração. Em entrevista ao programa Datena, ele garantiu que nem ele nem o governo estudam o retorno do decreto que marcou a "época de chumbo" da ditadura militar brasileira e acusou a oposição de ter deturpado a sua fala. (com congressoemfoco.uol.com.br)

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