Terça-Feira, 07 de Julho de 2020

Política


19/03/2020 - 00:00 - Atualizado em 19/03/2020 - 00:00

"É pouco tempo para causar sofrimento", diz Vilela sobre barulho de fogos

Por Graciela Zabotto/politica@webdiario.com.br
barueri

Vereador é contra projeto que defende proibição de fogos de artifício com barulho em Barueri. "É pouco tempo para o senhor que vai soltar, mas é muito tempo para quem sofre", disse Wilson Zuffa, autor da proposta. O objetivo é beneficiar autistas, idosos, crianças e animais que sofrem com os estouros. "Quando tem queima de fogos aqui aquela família do autista não vai. Vai se resguardar", insistiu Vilela, que encabeçou uma verdadeira bancada do rojão na Casa.

Vereador é contra projeto que defende proibição de fogos de artifício com barulho em Barueri. "É pouco tempo para o senhor que vai soltar, mas é muito tempo para quem sofre", disse Wilson Zuffa, autor da proposta. O objetivo é beneficiar autistas, idosos, crianças e animais que sofrem com os estouros. "Quando tem queima de fogos aqui aquela família do autista não vai. Vai se resguardar", insistiu Vilela, que encabeçou uma verdadeira bancada do rojão na Casa. (Foto: Divulgação)
Entrou em pauta o projeto de lei, de autoria do vereador Wilson Zuffa (Republicanos), que prevê a proibição de fogos de artifício com barulho em Barueri. “É um projeto que não proíbe shows pirotécnicos. Na inauguração da árvore de Natal, no ano passado, foram quase 15 minutos de queima de fogos sem barulho e foi lindo. A ideia é ser a favor de pessoas que precisam de nossa atenção como autistas, idosos, recém-nascidos e também os animais”, explicou o autor da proposta.
 
Mas nem mesmo a exibição de três vídeos, que mostravam os malefícios desses barulhos para animais e autistas, foram suficientes para sensibilizar os vereadores sobre a importância da proibição. Uma verdadeira bancada do rojão foi formada na Casa e encabeçada por Chico Vilela, que afirmou "nunca ter visto ninguém morrer por causa de rojão".
 
“Eu nasci assim vendo rojão, e nunca vi que fizesse [mal]. Pode ser que prejudique de alguma forma, mas a duração dos fogos é curta para prejudicar as pessoas e os animais. É pouco tempo de barulho para poder prejudicar tanto assim e dar tanta importância para isso. Não está prejudicando ninguém. Nunca vi os fogos tirarem a vida de alguém. É pouco tempo para causar sofrimento”, declarou.
 
Zuffa retrucou: “É pouco tempo para o senhor que vai soltar, mas é muito tempo para quem sofre. E sofrimento é sofrimento, pode ser um minuto ou cinco minutos. O colapso de um autista um minuto para aquela família é uma eternidade”. Vilela ainda disse que família que tem autista não vai em eventos com fogos. “Quando tem queima de fogos aqui aquela família do autista não vai. Vai se resguardar”.
 
O vereador Rodrigo Rodrigues (PV) também se pronunciou. “Eu tenho uma sobrinha autista e temos acompanhado com TEA e tenho visto a luta da minha irmã todos os dias. Nós vemos no final de ano e datas comemorativas o sofrimento dela. Também tenho o meu cachorro, o Thor, e vejo o sofrimento que é. Acho que as coisas têm que avançar e olharmos para frente”.
 
Mas, para Vilela, soltar fogos de artifício é sinônimo de felicidade. “É o momento que você tem para festejar. Você solta o rojão e você está comemorando”. O coro também foi engrossado por Kascata (sem partido). “Também nunca vi ninguém morrer por causa de barulho de um rojão. A gente não solta rojão todos os dias. É um ato especial de alegria”.
 
Luizinho do Camargo (PDT) e Carlinhos do Açougue (DEM) também são contra a proibição, justificando que “ficam preocupados com os comerciantes que deixarão de vender” e citaram, ainda, uma loja da cidade. Rafa Gente da Gente (DEM) pediu vistas do projeto alegando que precisa ser melhor estudado. “Acho que o Zuffa deveria apresentar proposta de conscientização ao malefício do barulho dos fogos. Não a proibição”, completou Carlinhos.
 
O pedido foi aprovado pela maioria. Com isso, o projeto continua tramitando pela casa. "Agora é mobilizar. É colocar as pessoas no plenário. Olhar olho no olho e explicar para elas que não é favorável ao que é de interesse delas. Vamos para cima. Vamos fazer o quê?”, respondeu Zuffa, inconformado.