Terça-Feira, 31 de Março de 2020

Política


25/03/2020 - 00:00

"Bolsonaro ouve gabinete do ódio e não o do bom senso"

Frase é do governador João Doria, ao criticar pronunciamento do presidente pedindo reabertura do comércio e das escolas. "Não é uma gripezinha. É a maior crise de saúde da história do país"
Por Da redação/cotidiano@webdiario.com.br

Governador criticou postura do presidente quanto aos idosos

Governador criticou postura do presidente quanto aos idosos (Foto: divulgação)
Alvo de ataques do presidente Jair Bolsonaro durante teleconferência, na manhã desta quarta-feira, reunindo todos os governadores do Sul e do Sudeste, João Doria também não o poupou de críticas durante entrevista coletiva, concedida na sequência.

Reportagem exibida pela Rede Globo mostrou que, durante a videoconferência, Bolsonaro acusou Doria de o ter usado para se eleger governador e que, agora, está usando a crise do coronavírus para atacar seu governo e fazer campanha política antecipada à presidência.

Na coletiva, Doria citou apenas que foi alvo de ataque, mas preferiu focar suas críticas ao pronunciamento de Bolsonaro na noite anterior, em que pediu a reabertura do comércio e das escolas e criticou prefeitos e governadores que adotaram o fechamento como forma de conter a pandemia.

“O conteúdo foi absolutamente equivocado. Não é uma gripezinha, um resfriadinho. É a maior crise de saúde da história do país. Já temos 46 mortes e não entramos nem no pico ainda”, afirmou.

E subiu ao tom ao citar a abordagem do presidente de que apenas idosos estariam em risco. “Lamento que o presidente insista em ouvir o gabinete do pódio e não o do bom senso.
Não se pode desprezar nenhuma pessoa por ter mais de 60 anos. São seres humanos”, completou.

O governado também afirmou que não vai permitir que haja confisco de aparelhos respiradores, como chegou a ser cogitado pelo Ministério da Saúde, para atender locais em que haja déficit. “Falei de forma equilibrada com o ministro, mas não vamos permitir o confisco de respiradores e nem de medicamentos. Aqui é o epicentro da doença. Tenho certeza que isso não ocorrerá.  Mas se ocorrer, vamos tomar as medidas judiciais cabíveis”, destacou.

Na coletiva, Doria anunciou que, durante o período em que escolas estaduais permanecerem fechadas, devido ao coronavírus, vai repassar R$55 mensais às famílias de alunos que se encaixam em situação de extrema pobreza, para compensar a falta de merenda. “É o suficiente para comprar uma cesta básica”, afirmou.

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