Quarta-Feira, 12 de Agosto de 2020

Polícia

30/07/2020 - 00:00 - Atualizado em 30/07/2020 - 00:00

Marmita que matou moradores de rua e cachorro em Itapevi tinha 'chumbinho'

Perícia encontrou veneno de rato no material analisado. Delegado trabalha com três linhas de investigação
Por Da redação / policia@webdiario.com.br
Osasco

Marmita que matou moradores de rua e cachorro em Itapevi tinha 'chumbinho'

Marmita que matou moradores de rua e cachorro em Itapevi tinha 'chumbinho' (Foto: reprodução)
O delegado titular de Itapevi Aloysio Mendonça Neto, que investiga a morte de dois moradores de rua e um cachorro após comerem marmita, afirmou nesta quinta-feira (30) que o laudo encontrou "terbufos, um componente altamente tóxico, usado na fabricação do famoso 'chumbinho'” em algumas marmitas que foram recolhidas do local e no estômago do cão.
 
Na noite do dia 22 voluntários entregaram marmitas a moradores de rua que estavam em um posto de combustível abandonado. José Araújo Conceição, de 61 anos, foi socorrido pelo SAMU e faleceu no Pronto Socorro Central de Itapevi. Vagner Aparecido Gouveia de Oliveira, de 37 anos, morreu no mesmo hospital após ser socorrido por populares. O cachorro morreu pouco tempo depois de se alimentar.  Segundo as testemunhas, José se queixou de dor de barriga após comer a marmita, e Vagner Aparecido Gouveia de Oliveira estava espumando pela boca.
 
Araújo, um comerciante que passava por perto, também recebeu uma das marmitas, mas não comeu na hora. Ele levou para casa e entregou para mulher Jeniffer, de 17 anos, e para o filho Fábio, de 11 anos. Os dois comeram o alimento, passaram mal e foram internados em estado grave. Jeniffer recebeu alta no domingo (26). Fábio permanece internado, mas não corre risco de morte.
 
Ao Diário o delegado disse que a investigação segue três linhas. “Não descartamos nenhuma delas: o alimento ter sido contaminado na origem; ter sido contaminado no local ou ingerido algum alimento estragado”.
 
Em depoimento Agda, voluntária que preparou as marmitas, declarou que não havia veneno na comida. “A gente não matou ninguém. Minha comida não está envenenada porque fui eu quem fiz e saiu direto da cozinha da igreja para as ruas de Itapevi", disse em entrevista ao programa Brasil Urgente. Ela e outros voluntários prepararam a refeição na Igreja Pentecostal de Cotia.
 
Naquela noite foram feitas 50 marmitas. Para a polícia Agda afirmou que foram entregues quatro marmitas para pessoas daquele local. Disse ainda que ela e os voluntários comeram da mesma comida que foi entregue aos moradores de rua. "Os meus netos comeram, a minha filha comeu, e meu marido levou de marmita para o trabalho dele".