“É um absurdo ainda classificar a Covid como pandemia”, diz Nise Yamaguchi

Em entrevista ao Diário da Região, Nise Yamaguchi, médica infectologista, considera um absurdo ainda tentarem caracterizar a Covid-19 como pandemia. “Enquanto tiver um foco em um país, você tem que fechar o mundo inteiro e seguir a mesma norma daquele país?”, questionou. Na semana passada, a OMS (Organização Mundial da Saúde) manteve a classificação da Covid-19 como pandemia e não endemia como solicitam alguns países.

“A ideia de pandemia é fazer com que as ações de todos os Ministérios da Saúde assinem que irão receber e respeitar orientações de um governo central e, enquanto estiver nessa classificação de pandemia o mundo entra numa situação de exceção”, explicou.

Para a médica é preciso individualizar a situação por país para que possam ser tomadas medidas necessárias para aquele país. “Por que você vai fechar um país inteiro na América Latina se estiver com foco na India, ou na Africa, por exemplo”, completou.

Nise acredita que o coronavírus já posso ser tratado como os surtos de gripe que acontecem no mundo inteiro. “Você não classifica como pandemia no Hemisfério Sul porque está tendo surto no Hemisfério Norte. Assim como se o foco estiver no Brasil e você deixar também a Ásia classificada como pandemia”.

Para Nise, “isso é muito perigoso”. E essa classificação de pandemia não pode ser deixada nas mãos de quem não está vendo a questão local. “Nós temos que ter uma conduta de país voltada para nossas necessidades e nossa soberania. Não podemos quebrar o país inteiro e ficarmos reféns de situações onde nós vamos ter que precisar do mínimo porque não vamos poder trabalhar. Não é possível aceitarmos uma questão dessa”, completou.

Nise Yamaguchi é uma das principais defensoras da cloroquina e da sua derivada, a hidroxicloroquina. Ela é formada pela Universidade de São Paulo (USP), onde se especializou em imunologia e tem doutorado em pneumologia. Especializou-se ainda em oncologia e foi presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia entre 1997 e 2000. Hoje é diretora-presidente do Instituto Avanços em Medicina, em São Paulo, que é especializado no tratamento de câncer. Nise também trabalha no Hospital Albert Einstein,

Da Redação