Marisa Monte exalta Bruno e Dom Phillips, assassinados na Amazônia

 Marisa Monte exalta Bruno e Dom Phillips, assassinados na Amazônia

Divulgação

Marisa Monte usou de sua influência e engajamento para chamar atenção para o assassinato do indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips. A cantora prestou uma homenagem para a dupla, que foi morta a tiros no dia 5 de junho na Amazônia.

Depois de acabar o show e agradecer o público, uma imagem de Bruno e Dom surgiu na tela e os aplausos aumentaram consideravelmente.

“Obrigada Dom e Bruno. Vocês são nossos heróis. Nossa solidariedade aos amigos e familiares”, escreveu Marisa na publicação no Instagram.

MAS AFINAL, QUEM É DOM E BRUNO?
Com a confissão de Oseney da Costa, preso por participação no desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, a Polícia Federal deu como concretizado o fim do desaparecimento dos dois. Os corpos foram esfaqueados e incinerados às margens do rio Itaquaí, no Vale .

Phillips e Pereira eram profissionais reconhecidos em suas áreas e compartilhavam a paixão pela Amazônia e pela preservação da natureza e dos povos originários da região.

Enquanto Bruno Pereira orientava moradores do Vale do Javari a denunciar irregularidades cometidas em reserva indígena, o experiente jornalista estrangeiro acompanhava o trabalho para registrar em livro que pretendia escrever.

O inglês de 57 anos era jornalista freelancer e colaborador do jornal “The Guardian”. Ele morava no Brasil desde 2007 e ensinava inglês para jovens de um projeto social em bairros da periferia de Salvador, na Bahia, onde atualmente vivia com a esposa.  Natural da região de Merseyside, no noroeste da Inglaterra, também era músico e já morou em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Dom Phillips publicou várias reportagens sobre política e meio ambiente em veículos como Financial Times, New YorkTimes, Bloomberg e Washington Post, até que em 2021, recebeu uma bolsa da Fundação Alicia Patterson, dos Estados Unidos, para investigar modelos de preservação para conservação da Amazônia. A partir desse projeto vinha trabalhando no livro “Como salvar a Amazônia”, obra que já contava com os primeiros capítulos em andamento quando desapareceu com o indigenista Bruno Pereira.

Além de questões ambientais, Dom Phillips atuou na cobertura de música eletrônica e, entre 1991 e 1999, trabalhou na Mixmag, uma das maiores revistas no mundo especializada no tema. Ele publicou seu primeiro livro, “DJs Superstar Here We Go!: A Ascensão e Queda do DJ Superstar (2009) pela editora Ebury.

Ele deixa a esposa, Alessandra, irmã, cunhado e sobrinhos.

BRUNO PEREIRA, INDIGENISTA POR EXCELÊNCIA

O pernambucano de 41 anos ingressou na Funai como agente em indigenismo em setembro de 2010. Dois anos depois, ele passou a integrar a coordenação regional da Funai de Atalaia do Norte – área em que foi visto pela última vez. Ele deixou o cargo em 2016 e, em 2018, voltou a prestar serviço para a instituição como coordenador-geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Diretoria de Proteção Territorial.

Bruno foi uma das lideranças que chefiou maior expedição do órgão nos últimos 20 anos. A missão, que teve o propósito de contatar um grupo de isolados que corria riscos de entrar em conflito com outra etnia que vive na região, foi concluída com êxito, sem nenhum tipo de combate.

Em outubro de 2019, o presidente da Funai publicou a exoneração de Pereira, sem qualquer tipo de argumentação técnica. Ele era um dos principais especialistas do órgão e vinha liderando, nos últimos anos, todas as iniciativas de proteção aos povos isolados.

O indigenista trabalhava atualmente em um projeto que visava a melhoria na vigilância em territórios indígenas contra narcotraficantes, garimpeiros e madeiros que atuam no Vale do Javari, estado do Amazonas. A missão, conferida a ele por uma organização que representa povos isolados e de recente contato da região, vem desafiando o poder econômico de criminosos brasileiros, colombianos e peruanos que usam aldeias e comunidades ribeirinhas para exploração da floresta e para rota de tráfico.

Da Redação