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VÍDEO: "Ele é um monstro, não um ser humano", diz mãe
Mari Magdesian    -
02 de setembro de 2020

Uma menina de apenas 13 anos foi aliciada por seu vizinho, de 31 anos, morador de um condomínio de prédios, em Osasco. Conversas em aplicativos de mensagens e redes sociais, fotos e vídeos já foram entregues à polícia. “Quero ver o seu rosto! Mordendo a boca. Tenho tesão por você inteira”, diz o homem à menor em uma das conversas que o Diário teve acesso. Apesar de todas as provas, o homem segue solto.

Foi o comportamento fechado da filha que preocupou a mãe. “Ela começou a ficar mais calada, não interagia com a família e ficava trancada no quarto. A gente tentava conversar com ela, mas se tornou uma criança muito agressiva”.

Desesperada, a mãe pediu ao irmão e padrinho da menina que ficasse uns dias com a sobrinha em sua casa, no interior. Foi ele quem descobriu as conversas. “Um dia ele pediu a senha do celular e redes sociais e ela deu. As conversas estavam em aplicativos escondidos no celular. Existiam vídeos, conversas e fotos que somam quase 110 páginas de conteúdo abusivo. Ele me ligou e disse que precisávamos conversar”.

A notícia foi dada pessoalmente aos pais. A menina era aliciada desde dezembro de 2019. “Fiquei muito chocada porque as cenas [dos vídeos e fotos] são muito fortes. É revoltante. Uma criança de 13 anos não tem a malícia de uma pessoa mais velha”, disse a mãe que até tenta conversar com a filha, mas fica constrangida e começa a chorar.

Sabendo que a menina gostava muito de animais, o vizinho passeava com o cachorro para chamar a atenção da menor e puxar assunto. Em seguida começaram os convites para jogar videogame em seu apartamento.

Questionada sobre o porquê não contou aos pais, a menor disse que era ameaçada. “Ele dizia que se ela falasse alguma coisa mataria ela e a mim”, contou a mãe, que disse conhecer o homem apenas de vista, já que a vaga dele na garagem do prédio fica ao lado da vaga da família. “Dava bom dia, boa tarde. Não via nada de mal dele”, completou.

Com as provas em mãos, o caso foi parar no 5º DP de Osasco. Ao Diário, a mãe contou que o homem debochou da cara dela e do marido. “Nós que somos vítimas fomos tratados pela polícia como agressores e ele era o coitado”. Ele foi levado até a delegacia sem algemas, o que permitiu que apagasse as provas que estavam em seu celular. “Na delegacia ele ria da gente e debochava da nossa cara”, desabafou indignada.

Realizado o boletim de ocorrência o homem foi solto. “A delegada explicou que não poderia prender porque não teve flagrante”. No dia seguinte, testemunhas disseram ter visto o homem saindo do prédio com bolsas e o cachorro. Desde então, ele não foi visto mais no condomínio.

O sentimento agora é de que a Justiça seja feita. “Espero que ele seja preso e pague. Minha filha ainda vive chorando. Só quer ficar deitada. Ela não come. Uma pessoa de 31 anos fazer isso não é normal. Ele é um monstro, não é um ser humano. Quero que a justiça do nosso país seja feita”.

A mãe da vítima também deixou um recado às outras mães. “Só peço que sejam amigas de suas filhas. Olhem o celular e redes sociais. Eu mudei para um condomínio pensando que estava protegendo minhas filhas e o inimigo morava ao lado. Fiquem de olho. Denunciem”.

Há suspeitas de que o homem também tenha aliciado outras crianças moradoras do condomínio. “Joguei a foto dele no grupo de moradores e as mães começaram a me chamar e apareceram mais crianças. Uma mãe me chamou e disse que a filha dela viu outras meninas saindo do apartamento dele. A menina ainda disse: ‘mãe, eu não gosto dele’, contou.