Um surto de contaminação por metanol em bebidas alcoólicas tem provocado casos de intoxicação grave e mortes em São Paulo. Na última segunda-feira (29), o governo estadual confirmou a terceira morte causada pelo consumo de bebida adulterada.
Em Osasco, um jovem de 27 anos permanece internado em estado grave no Hospital São Luiz. Ele apresenta cegueira, faz sessões de hemodiálise e tem comprometimento neurológico.
O alerta sobre o risco não é novo. Em abril deste ano, a Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) divulgou um levantamento que mostrou a gravidade da situação. O estudo, feito pelo Núcleo de Pesquisa e Estatística da entidade, apontou que 36% das bebidas comercializadas no Brasil eram fraudadas, falsificadas ou contrabandeadas.
De acordo com o relatório, os produtos mais afetados com a prática criminosa são vinhos e destilados. A pesquisa trouxe ainda outro alerta importante: uma a cada cinco garrafas de vodca vendidas no País é falsificada.
Para a Fhoresp, que representa 500 mil empresas paulistas, entre hotéis, bares, restaurantes, lanchonetes e padarias, e mais de 20 sindicatos patronais, é preciso que as autoridades coloquem em prática ação articulada que desmantele o esquema (lucrativo) das falsificações.
“Há seis meses, já havíamos alertado o mercado sobre a prática, por meio de um levantamento que nos apresentou porcentagens assustadoras de fraude. Se as autoridades não agirem firmemente, este esquema, que agora está colocando também vidas em risco, não chega ao fim nunca”, lamentou Edson Pinto, diretor-executivo da entidade.
Na opinião do diretor-executivo, os números demonstram que “há um grande esquema de adulteração em larga escala em território nacional”. E, se antes a preocupação era apenas com as fraudes tributárias, “agora, o risco à saúde é o mais alarmante”.
“É preciso que o Estado e demais órgãos de fiscalização tenha um controle maior sobre a distribuição das bebidas, a fim de assegurar aos consumidores e aos estabelecimentos a procedência dos produtos”, cobrou Edson Pinto.