O grupo de direitos dos animais American Humane criticou o governo americano após afirmar que o Exército dos Estados Unidos teria abandonado cães militares em Cabul ao deixar o país na última segunda-feira, 30, concluindo quase 20 anos de ocupação no Afeganistão.
“Estou arrasado com relatos de que o governo americano está saindo de Cabul e deixando para trás bravos cães de trabalho contratados pelo
Exército dos EUA para serem torturados e mortos pelas mãos de nossos inimigos”, disse Robin Ganzert, CEO da American Human, em nota.
Segundo Ganzert, a instituição resgata animais militares há mais de cem anos e os leva para abrigos depois que se aposentam.
Inicialmente, começaram a circular notícias de que o governo havia deixado animais enjaulados no aeroporto de Cabul. O governo americano, no entanto, nega as acusações, afirmando que os animais presentes no aeroporto estavam sob controle de uma ONG afegã.
“A missão prioritária dos EUA era a evacuação de cidadãos americanos, SIV (visto especial para imigrantes) e afegãos vulneráveis. No entanto, para corrigir relatos errôneos, os militares dos EUA não deixaram nenhum cão em gaiolas no Aeroporto Internacional Hamid Karzai”, disse uma porta-voz do Departamento de Defesa americano.
Segundo a porta-voz, “as fotos que circulavam online eram de animais sob os cuidados do Resgate de Pequenos Animais em Cabul, não de cães sob os cuidados dos militares dos EUA. Apesar de uma missão retrógrada perigosa e complicada em andamento, as forças dos EUA fizeram de tudo que foi possível para ajudar os animais”.
As tropas dos Estados Unidos, que deveriam concluir a retirada nesta terça-feira, 31, se anteciparam e partiram no último avião às 23h59 locais (16h29 de Brasília) de segunda. A operação de evacuação resgatou 122.000 pessoas desde o último dia 14 de agosto, véspera da tomada da capital afegã pelo Talibã.
Apesar de tratarem de vidas animais, as críticas da organização não governamental coincidem com declarações do general Kenneth McKenzie, chefe do Comando Central dos EUA, de que 73 aviões ficaram no país, além de veículos blindados, minas terrestres e munições. Todos os itens deixados para trás, no entanto, foram “inabilitados”, impedindo que sejam usados no futuro. (veja.abril.com.br