De dois a três policiais militares pedem exoneração da Polícia Militar do Estado de São Paulo todos os dias. É o que aponta o levantamento “O Êxodo Silencioso”, realizado pela Associação Nacional de Guardas Municipais do Brasil (AGM Brasil), com base em informações oficiais publicadas no Diário Oficial do Estado.
Segundo a AGM Brasil, o número de exonerações a pedido quase triplicou entre 2020 e 2025. Em 2020, foram registrados 356 desligamentos. Já em 2025, o total chegou a 917.
O levantamento mostra que a maior parte das exonerações ocorre entre policiais que atuam diretamente nas ruas. Em 2025, 94% dos pedidos partiram de praças. Desse total, 45% eram soldados de 2ª Classe, ainda no início da carreira na corporação.
Em entrevista ao Diário da Região, o presidente da AGM Brasil, Reinaldo Monteiro, afirmou que há diferentes fatores que levam os policiais a deixarem a PM, mas quatro motivos se destacam.
“Estrutura de carreira militarizada, que é um modelo arcaico para os jovens de hoje que já não se identificam com modelo militarizado; remuneração baixa e alto risco da atividade; saúde mental agravada e desilusão profissional”, enumerou.
Para Monteiro, o cenário reforça a necessidade dos municípios ampliarem e estruturarem melhor as guardas municipais, dividindo responsabilidades na área da segurança pública.
“Esse cenário demonstra a necessidade dos municípios fazerem aquilo que é constitucional: contratar guardas municipais e investir para que o governador do Estado tenha condição de alocar o seu efetivo no combate ao crime organizado, aos crimes de maior potencial ofensivo. Já os municípios, com os seus GCMs, poderão atuar nos crimes de menor potencial ofensivo e o que é de interesse local de cada cidade”, afirmou.
Além das exonerações, o estudo também chama atenção para a saúde mental dos policiais. Desde 2020, foram registrados cerca de 3.500 pedidos de afastamento psiquiátrico na Polícia Militar. Em 2024, a média foi de duas licenças por dia.
O dado mais grave é de 2023, quando 110 policiais morreram por suicídio, número superior ao de mortes em confrontos, que somaram 107 no mesmo período. A taxa de suicídio entre policiais militares, segundo o levantamento, foi três vezes maior do que a registrada na população em geral.