A prefeitura de Carapicuiba realizou, nesta quarta-feira (10), a demolição de casas da favela do Areião e ignorou a existência de animais abandonados no local. Alguns doentes e sem forças para consegui fugir. Nos últimos dias, cerca de 30 foram recolhidos por protetores independentes e levados para o chamado “lar temporário”, até que se consiga adoção para eles.
Hoje, o temor era de que as máquinas passassem por cima dos que ainda não foram resgatados. Os protetores alegam que procuraram a prefeitura para impedir a tragédia mas não obtiveram resposta.
“A forma para a desocupação foi terrível porque os animais ficaram para trás e nenhum órgão público, políticos que se dizem voltados para a causa animal, fizeram algo por eles. Quem está na luta incansável são protetores. Absurdo!”, escreveu uma das integrantes que luta para salvar os bichinhos abandonados no local.
“Por favor compartilhem os vídeos do meu perfil, estamos recolhendo os animais há dias e precisamos muito de ajuda. Hoje, as protetoras estão lá e ainda tem animais, vão todos morrer. Ajudem por favor a divulgar. Precisamos de ajuda urgente, lar temporário, abrigos, ração”, escreveu outra protetora desesperada.
A Comunidade Porto de Areia fica na antiga Lagoa de Carapicuíba, próxima ao Sesi. A ação ocorre de forma pacífica e sem resistência por parte dos moradores, segundo informações. Mais de 400 famílias que viviam na área começaram a receber o auxílio-aluguel de R$ 800,00 e serão contempladas por programas habitacionais da CDHU.
Muitas famílias da favela se mudaram para imóveis que não aceitam bichos e deixaram cães e gatos para trás. Outros animais eram de rua e viviam na comunidade onde recebiam comida de alguns moradores.
A desocupação integra uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Estadual e cumpre um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2010. O terreno é considerado área de risco e, nos últimos anos, os moradores tiveram suas casas invadidas pela água diversas vezes. O TAC também prevê a recuperação ambiental da área.