• 17/04/2021

O aumento dos preços dos combustíveis e as difíceis decisões

* Lucas Alves de Camargo

Os motoristas que passam pelos postos de combustível da cidade têm notado o constante aumento no valor do litro. Acontece que desde o segundo semestre de 2020 o valor final dos combustíveis nas bombas não parou de subir. O que pouca gente já percebeu é que ocorre uma verdadeira guerra na atual definição dos preços. Há um aumento na demanda pelo petróleo, sobretudo por parte do mercado norte americano, por outro lado, a organização dos países produtores de petróleo (OPEP) tende a diminuir o ritmo da produção a fim de ampliar o valor do seu produto no mercado. Com mais demanda e menos petróleo em produção, o valor do barril no mercado internacional é valorizado.

Com o objetivo de se reorganizar financeiramente a PETROBRAS passou a adotar uma política de precificação baseada no valor do barril do petróleo no mercado internacional. Com essa definição, a cada aumento no valor internacional do petróleo há o repasse por parte da empresa para o mercado Brasileiro: o preço sobe nas refinarias e distribuidores e chega mais caro aos revendedores finais, que acabam por aumentar o valor final do litro quando abastecemos.

Como muitos produtos dependem do frete feito pelos caminhões, o bolso do brasileiro sofre a cada reajuste, o que agrava ainda mais a difícil crise vivida por todos nós. O aumento do valor dos combustíveis leva a um efeito em cascata, na qual os preços sobem de valor, pressionando a inflação, (as recentes atualizações das previsões confirmam essa configuração). Esse cenário compromete a política econômica defendida pelo ministro Paulo Guedes enquanto eleva a tensão entre a base do governo, como os caminhoneiros, que exigem a interferência na política de preços da companhia.

Nesse contexto, a atuação do governo federal tem se concentrado em dois temas: a redução dos impostos estaduais cobrados sobre os combustíveis e a interferência direta do executivo sobre os preços praticados pela Petrobras. Mas a verdade é que ambos os caminhos possuem muitas limitações e dificuldades. O primeiro por repassar o problema para os Estados, o que ocasionaria uma grande redução orçamentária em um momento de queda na arrecadação, o segundo por repassar o prejuízo mais uma vez para a Petrobrás, como fizeram outros governos, muito criticados em todo o processo de impeachment e durante a campanha de 2018. A controvérsia está posta diante do governo Bolsonaro: Manter o compromisso com a política fiscal prometida em campanha ou interferir diretamente na administração da Petrobras, o que gera prejuízo aos caixas da companhia e afasta os investidores (como demonstra a queda recente de suas ações). A ideologia propagada por Guedes e Bolsonaro durante a campanha sobreviverá intacta a essa difícil realidade econômica?

De todo modo, esse cenário evidencia a extrema necessidade de ampliarmos outras discussões: a diversificação das matrizes energéticas, a criação de novas refinarias nacionais compatíveis com a demanda interna e a extensão da malha ferroviária. São projetos de desenvolvimento nacional deixados sempre em um segundo plano. Até quando?

* Lucas Alves de Camargo possui bacharelado e licenciatura em “História”, lato sensu em “História, Sociedade e Cultura”, mestrado em “História Social”, titulações conferidas pela PUC-SP; especialização em Gestão Pública pela UNIFESP e licenciatura em Pedagogia pela UNINOVE. Pesquisou a formação do movimento de Direitos Humanos da cidade de Osasco, entre os anos de 1977-1985.